Facebook

Páginas

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Neo-Pentecostalismo, suas Origens (Aula IBE dia 29/08/2013)





Historicamente podemos distinguir três momentos dentro do Pentecostalismo brasileiro, que comumente são denominados: Primeira, segunda e terceira onda. Todavia, a terceira onda são os denominados de “Neo-Pentecostais”. Estes últimos, embora em termos de classificação sejam reconhecidos como Pentecostais, ao analisar suas práticas, costumes, crenças e doutrinas, logo, perceber-se-á que os mesmos nada têm com o Pentecostalismo de visão clássica.
A terceira onda, dos denominados neo-pentecostais, tem início na segunda metade dos anos 70. Fundadas por brasileiros, a Igreja Universal do Reino de Deus (Rio de Janeiro, 1977), a Igreja Internacional da Graça de Deus (Rio de Janeiro, 1980), a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (Brasília, 1992) e a Renascer em Cristo (São Paulo, 1986) estão entre as principais. Utilizam intensamente a mídia eletrônica e aplicam técnicas de administração empresarial, com uso de marketing, planejamento estatístico, análise de resultados, dentre outros métodos (diga-se de passagem quando enfatizados demonstram por si só que são carnais, meras estratégias para manter pessoas igualmente carnais). Todas as citadas pregam a Teologia da Prosperidade, pela qual o cristão “tem direito a possuir as riquezas dessa terra como promessa de Deus”, e rejeitam os tradicionais usos e costumes pentecostais. O neo-pentecostalismo constitui a vertente pentecostal mais influente e a que mais cresce.
Para melhor compreender essa verdade deixemos de lado o contexto nacional e passemos a analisar a origem de tal movimento, isto é, em qual fonte beberam seus fundadores e propagadores.

Essek William Kenyon: Embora Kenneth Hagin seja conhecido como “papai Hagin” como se ele for a o precursor da Teologia Neo-Pentecostal, no entanto, a verdade é que Kenyon é o verdadeiro “pai” dessa classe teológica. Não se pode, no entanto, negar que Hagin propagou aquilo que Kenyon desenvolveu.
Nasceu em 24 de abril de 1867 Kenyon começou o ministério como metodista, no século XIX fundou o Instituto Bíblico Betel, do qual se demitiu em 1923 da posição de superintendente sob uma nuvem de controvérsias. Pioneiro da rádio transmissão, em 1931 iniciou o programa “A Igreja do ar de Kenyon”. As fitas gravadas de seu programa vieram a se tornar a base dos seus escritos, que sobreviveram até nossos dias e são aquilo que se propaga na chamada “Teologia da fé”. Uma de suas frases atualmente propagadas é “o que eu confesso, eu possuo”.
A metafísica do “Novo Pensamento” (referentes aos efeitos do pensamento positivo, Lei da atração, cura, força vital, visualização criativa e poder pessoal. Tal corrente de pensamento promove a ideia de que Deus tem o dom da onipresença, que o espírito é a totalidade das coisas reais, que a verdadeira natureza humana é divina, que o pensamento divino é uma força para o bem, que todas as doenças se originam da mente, e que o 'pensamento certo' tem um efeito regenerador.) influenciou Kenyon. Tanto seus escritos quanto testemunhas oculares associados a outras fontes externas confirmam o quanto Kenyon sofreu influência desse movimento espiritual e outros grupos heréticos, tais qual, ciência cristã (A Ciência Cristã prega a cura cristã, ou cura divina, como sendo o cumprimento natural da promessa feita por Jesus - um modo de vivenciar a salvação atual, completa e universal, que viria pela graça divina, este faz parte do idealismo e da teologia da Ciência Cristã.) e ciência da mente (Ciência Religiosa é uma correlação das leis da ciência, opiniões filosóficas, e revelações da religião aplicadas às necessidades humanas e às aspirações do homem).
A influência de Kenyon nos círculos Pentecostais, não se resumiu a Kenneth Hagin, ele foi lido e citado por muitas pessoas e citado por “avivalistas” no período subsequente a 2ª guerra mundial. Dentre esses avivalistas destaca-se, William Branhan e T. L. Osborn. Alguns afirmam que Kenyon visitava as reuniões de líderes Pentecostais como F. F. Bosworth e Alimee Semple McPherson.
Embora, Kenyon seja muito menos incisivo que alguns dos atuais líderes do movimento da fé, ele não deixou de produzir blasfêmias até sua morte, chegou a afirmar que a morte física de Jesus, sequer tocou a questão do pecado, assim como, uma pessoa entregar-se a morte igualmente não toca nessa questão. Conseguiu ele superar-se a cada nova afirmação, em outro momento disse: “todo o nascido de novo é uma encarnação e o Cristianismo é um milagre, o crente é uma encarnação, tal qual, foi Jesus de Nazaré”.

Kenneth Hagin: Em termos gerais Hagin apenas fez conhecida a obra de Kenyon, quando questionado a respeito disso, ele afirma que Deus concedeu a ambos as mesmas palavras, sem, que ele conhecesse sua fonte. Mesmo diante da sólida evidência contrária, Hagin insistia: “A influência de Kenyon em meu ministério tem sido minúscula. Apenas seu ensino sobre o nome de Jesus tem alguma coisa a ver com minha teologia. Nego absolutamente qualquer influência metafísica de Kenyon. Eu não ensino ciência cristã e sim concepção cristã”.
Talvez uma das mais bizarras estórias que Hagin contou, como se fosse real, é quando está conversando com Jesus e de repente aparece um “macaco demônio” que grita de forma contínua e estridente. Quando não aguentava mais o macaco, Hagin então não aguentando mais resolve tomar conta da situação ao ordenar que o demônio se calasse em “nome de Jesus”, ao que “Jesus” afirma para Hagin: “se você não tivesse feito alguma coisa”. Hagin ao ouvir essas palavras de Jesus, segundo sua descrição, imediatamente sugere-lhe que talvez tenha errado na descrição e que ao invés de afirmar que “nada poderia fazer”, Ele poderia ter querido afirmar que “nada faria”. Ao passo, que Jesus passou a explicar-lhe, que, de fato, que não havia se enganado, e, sim, que houvera dito corretamente, a saber, “nada poderia fazer”.
As narrativas que Hagin faz sobre suas pretensas experiências não são poucas, vamos, contudo observar apenas mais uma de suas citações. Em 1950 Hagin afirmou que Jesus lhe concedeu uma “unção” especial para cura de doentes. Afirma ele.

“continuou a me instruir que quando eu orasse e impusesse minhas mãos sobre os enfermos, eu tinha que tocar com uma mão de cada lado do corpo deles. Se eu sentisse o fogo saindo de uma mão para outra, o espírito maligno ou o demônio estava no corpo causando a aflição. Se o fogo, ou unção, não saísse de uma das minhas mãos para a outra seria apenas um caso de cura. Eu poderia orar pela pessoa em nome de Jesus, e se ela acreditasse e o aceitasse, a unção deixaria minhas mãos e entraria no corpo da pessoa, removendo a doença e trazendo a cura. Quando o fogo, ou a unção, saísse do meu corpo e fosse para o corpo da pessoa, eu saberia ter sido ela curada”.

Nessa mesma visão Hagin critica seus “colegas de ministério” por não seguirem uma verdade bíblica ao falarem de Jesus, então passa a narrar como Jesus possuía os furos do cravo nas “palmas da mão”. O que qualquer estudante de história ou teologia reconhece imediatamente como uma falácia bíblica e histórica, pois, os cravos eram presos nos pulsos da vítima e não nas palmas das mãos. O próprio termo original usado no texto da crucificação remete ao braço todo e não apenas a mão. Ainda sobre suas “revelações” afirmou: “haverá ministros que não as aceitarão, cairão mortos no púlpito”.


Benny Hinn: É costume ouvir que alguém diga que nas conferências de Hinn, “estive na própria presença de Deus”. Sem, contudo, não prestarem atenção ao “espírito” de violência presente nas pessoas que literalmente pisoteiam os demais para poder se aproximar do palco e ser derrubados por Hinn. O pior é que aqueles que participam dessas reuniões em cadeiras de rodas, acabam por sair na mesma condição.
Se alguém considera ofensiva as afirmações de Hagin, sequer deveria procurar conhecer as de Hinn. Este em cadeia nacional de televisão, nos EUA, afirmou categoricamente que desejava explodir a cabeça dos seus inimigos fedorentos com uma “arma do Espírito Santo”. Posteriormente pediu desculpas por essa afirmação, no entanto, não demorou muito para que saísse com mais uma afronta a seus críticos, afirmou ele: “O Espírito Santo está sobre mim... Está chegando o dia quando aqueles que nos atacam vão cair mortos. Você pergunta: ‘o que você disse? ’ Eu falo isso sob a unção do Espírito. Posso contar-lhes uma coisa? Não toquem nos servos de Deus. É fatal... Ai daquele que toca nos servos de Deus. Vocês vão pagar. E o dia chegará o Senhor me falou isso. Ele disse: ‘Virá o dia quando minha punição será imediata. Ai daqueles que tocarem nos meus escolhidos’. Eles irão nos temer. Ouçam vocês: Hoje eles escarnecem de nós; amanhã hão de nos temer”.

O aviso de Hinn baseava-se em uma afirmação de John Avanzini de que Walter Martin o fundador do ICP (EUA) morrera por ousar “tocar nos ungidos” do Senhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário