Historicamente
podemos distinguir três momentos dentro do Pentecostalismo brasileiro, que
comumente são denominados: Primeira, segunda e terceira onda. Todavia, a
terceira onda são os denominados de “Neo-Pentecostais”. Estes últimos, embora
em termos de classificação sejam reconhecidos como Pentecostais, ao analisar
suas práticas, costumes, crenças e doutrinas, logo, perceber-se-á que os mesmos
nada têm com o Pentecostalismo de visão clássica.
A
terceira onda, dos denominados neo-pentecostais, tem início na segunda metade
dos anos 70. Fundadas por brasileiros, a Igreja Universal do Reino de Deus (Rio
de Janeiro, 1977), a Igreja Internacional da Graça de Deus (Rio de Janeiro,
1980), a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (Brasília, 1992) e a Renascer
em Cristo (São Paulo, 1986) estão entre as principais. Utilizam intensamente a mídia
eletrônica e aplicam técnicas de administração empresarial, com uso de
marketing, planejamento estatístico, análise de resultados, dentre outros
métodos (diga-se de passagem quando enfatizados demonstram por si só que são
carnais, meras estratégias para manter pessoas igualmente carnais). Todas as
citadas pregam a Teologia da Prosperidade, pela qual o cristão “tem direito a
possuir as riquezas dessa terra como promessa de Deus”, e rejeitam os
tradicionais usos e costumes pentecostais. O neo-pentecostalismo constitui a
vertente pentecostal mais influente e a que mais cresce.
Para
melhor compreender essa verdade deixemos de lado o contexto nacional e passemos a analisar a origem de tal movimento,
isto é, em qual fonte beberam seus fundadores e propagadores.
Essek William Kenyon:
Embora Kenneth Hagin seja conhecido como “papai Hagin” como se ele for a o
precursor da Teologia Neo-Pentecostal, no entanto, a verdade é que Kenyon é o
verdadeiro “pai” dessa classe teológica. Não se pode, no entanto, negar que
Hagin propagou aquilo que Kenyon desenvolveu.
Nasceu
em 24 de abril de 1867 Kenyon começou o ministério como metodista, no século
XIX fundou o Instituto Bíblico Betel, do qual se demitiu em 1923 da posição de
superintendente sob uma nuvem de controvérsias. Pioneiro da rádio transmissão, em
1931 iniciou o programa “A Igreja do ar de Kenyon”. As fitas gravadas de seu
programa vieram a se tornar a base dos seus escritos, que sobreviveram até
nossos dias e são aquilo que se propaga na chamada “Teologia da fé”. Uma de
suas frases atualmente propagadas é “o que eu confesso, eu possuo”.
A
metafísica do “Novo Pensamento” (referentes aos efeitos do pensamento positivo,
Lei da atração, cura, força vital, visualização criativa e poder pessoal. Tal
corrente de pensamento promove a ideia de que Deus tem o dom da onipresença,
que o espírito é a totalidade das coisas reais, que a verdadeira natureza
humana é divina, que o pensamento divino é uma força para o bem, que todas as
doenças se originam da mente, e que o 'pensamento certo' tem um efeito
regenerador.) influenciou Kenyon. Tanto seus escritos quanto testemunhas
oculares associados a outras fontes externas confirmam o quanto Kenyon sofreu
influência desse movimento espiritual e outros grupos heréticos, tais qual,
ciência cristã (A Ciência Cristã prega a cura cristã, ou cura divina, como
sendo o cumprimento natural da promessa feita por Jesus - um modo de vivenciar
a salvação atual, completa e universal, que viria pela graça divina, este faz
parte do idealismo e da teologia da Ciência Cristã.) e ciência da mente (Ciência
Religiosa é uma correlação das leis da ciência, opiniões filosóficas, e
revelações da religião aplicadas às necessidades humanas e às aspirações do
homem).
A
influência de Kenyon nos círculos Pentecostais, não se resumiu a Kenneth Hagin,
ele foi lido e citado por muitas pessoas e citado por “avivalistas” no período
subsequente a 2ª guerra mundial. Dentre esses avivalistas destaca-se, William
Branhan e T. L. Osborn. Alguns afirmam que Kenyon visitava as reuniões de
líderes Pentecostais como F. F. Bosworth e Alimee Semple McPherson.
Embora,
Kenyon seja muito menos incisivo que alguns dos atuais líderes do movimento da
fé, ele não deixou de produzir blasfêmias até sua morte, chegou a afirmar que a
morte física de Jesus, sequer tocou a questão do pecado, assim como, uma pessoa
entregar-se a morte igualmente não toca nessa questão. Conseguiu ele superar-se
a cada nova afirmação, em outro momento disse: “todo o nascido de novo é uma
encarnação e o Cristianismo é um milagre, o crente é uma encarnação, tal qual,
foi Jesus de Nazaré”.
Kenneth Hagin:
Em termos gerais Hagin apenas fez conhecida a obra de Kenyon, quando
questionado a respeito disso, ele afirma que Deus concedeu a ambos as mesmas
palavras, sem, que ele conhecesse sua fonte. Mesmo diante da sólida evidência
contrária, Hagin insistia: “A influência de Kenyon em meu ministério tem sido
minúscula. Apenas seu ensino sobre o nome de Jesus tem alguma coisa a ver com
minha teologia. Nego absolutamente qualquer influência metafísica de Kenyon. Eu
não ensino ciência cristã e sim concepção cristã”.
Talvez
uma das mais bizarras estórias que Hagin contou, como se fosse real, é quando
está conversando com Jesus e de repente aparece um “macaco demônio” que grita
de forma contínua e estridente. Quando não aguentava mais o macaco, Hagin então
não aguentando mais resolve tomar conta da situação ao ordenar que o demônio se
calasse em “nome de Jesus”, ao que “Jesus” afirma para Hagin: “se você não
tivesse feito alguma coisa”. Hagin ao ouvir essas palavras de Jesus, segundo
sua descrição, imediatamente sugere-lhe que talvez tenha errado na descrição e
que ao invés de afirmar que “nada poderia fazer”, Ele poderia ter querido
afirmar que “nada faria”. Ao passo, que Jesus passou a explicar-lhe, que, de
fato, que não havia se enganado, e, sim, que houvera dito corretamente, a
saber, “nada poderia fazer”.
As
narrativas que Hagin faz sobre suas pretensas experiências não são poucas,
vamos, contudo observar apenas mais uma de suas citações. Em 1950 Hagin afirmou
que Jesus lhe concedeu uma “unção” especial para cura de doentes. Afirma ele.
“continuou
a me instruir que quando eu orasse e impusesse minhas mãos sobre os enfermos, eu
tinha que tocar com uma mão de cada lado do corpo deles. Se eu sentisse o fogo
saindo de uma mão para outra, o espírito maligno ou o demônio estava no corpo
causando a aflição. Se o fogo, ou unção, não saísse de uma das minhas mãos para
a outra seria apenas um caso de cura. Eu poderia orar pela pessoa em nome de
Jesus, e se ela acreditasse e o aceitasse, a unção deixaria minhas mãos e
entraria no corpo da pessoa, removendo a doença e trazendo a cura. Quando o
fogo, ou a unção, saísse do meu corpo e fosse para o corpo da pessoa, eu
saberia ter sido ela curada”.
Nessa
mesma visão Hagin critica seus “colegas de ministério” por não seguirem uma
verdade bíblica ao falarem de Jesus, então passa a narrar como Jesus possuía os
furos do cravo nas “palmas da mão”. O que qualquer estudante de história ou
teologia reconhece imediatamente como uma falácia bíblica e histórica, pois, os
cravos eram presos nos pulsos da vítima e não nas palmas das mãos. O próprio
termo original usado no texto da crucificação remete ao braço todo e não apenas
a mão. Ainda sobre suas “revelações” afirmou: “haverá ministros que não as
aceitarão, cairão mortos no púlpito”.
Benny Hinn:
É costume ouvir que alguém diga que nas conferências de Hinn, “estive na
própria presença de Deus”. Sem, contudo, não prestarem atenção ao “espírito” de
violência presente nas pessoas que literalmente pisoteiam os demais para poder
se aproximar do palco e ser derrubados por Hinn. O pior é que aqueles que
participam dessas reuniões em cadeiras de rodas, acabam por sair na mesma
condição.
Se
alguém considera ofensiva as afirmações de Hagin, sequer deveria procurar
conhecer as de Hinn. Este em cadeia nacional de televisão, nos EUA, afirmou
categoricamente que desejava explodir a cabeça dos seus inimigos fedorentos com
uma “arma do Espírito Santo”. Posteriormente pediu desculpas por essa
afirmação, no entanto, não demorou muito para que saísse com mais uma afronta a
seus críticos, afirmou ele: “O Espírito Santo está sobre mim... Está chegando o
dia quando aqueles que nos atacam vão cair mortos. Você pergunta: ‘o que você
disse? ’ Eu falo isso sob a unção do Espírito. Posso contar-lhes uma coisa? Não
toquem nos servos de Deus. É fatal... Ai daquele que toca nos servos de Deus. Vocês
vão pagar. E o dia chegará o Senhor me falou isso. Ele disse: ‘Virá o dia
quando minha punição será imediata. Ai daqueles que tocarem nos meus
escolhidos’. Eles irão nos temer. Ouçam vocês: Hoje eles escarnecem de nós;
amanhã hão de nos temer”.
O
aviso de Hinn baseava-se em uma afirmação de John Avanzini de que Walter Martin
o fundador do ICP (EUA) morrera por ousar “tocar nos ungidos” do Senhor.
